Uma perícia determinada pela Justiça de São Paulo para avaliar a situação financeira e operacional da Casas Bahia revelou que a varejista mantém suas operações ativas, mas registrou uma forte retração em suas atividades ao longo do mês de agosto, período em que a companhia formalizou um pedido de recuperação judicial.
O laudo, protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, aponta que as vendas realizadas por meio dos canais digitais sofreram uma queda de 35,3% no intervalo de 30 dias. No mesmo período, as expedições de mercadorias a partir dos centros de distribuição recuaram 77,2%.
Apesar da retração digital e logística, a inspeção não identificou escassez evidente de produtos nos mostruários das lojas físicas visitadas. Contudo, em alguns centros de distribuição, os peritos encontraram estoques reduzidos e áreas totalmente ociosas, situação que a empresa atribuiu às restrições financeiras que dificultam a recomposição de mercadorias.
O documento também destaca uma contração expressiva no quadro de colaboradores do grupo. O número de vínculos empregatícios diminuiu em 4.647 postos, passando de 29,7 mil funcionários em 3 de agosto para 25 mil no dia 28 do mesmo mês, o que representa uma baixa de 15,6%. As rescisões trabalhistas decorrentes desses desligamentos somam cerca de R$ 126,7 milhões.
A apuração conduzida pela ACFB Administração Judicial integra a fase preliminar que antecede a decisão do magistrado sobre a aceitação do pedido de recuperação judicial da companhia, protocolado em 16 de agosto sob o peso de um endividamento estimado em R$ 17,3 bilhões. A equipe técnica visitou centenas de unidades e centros logísticos espalhados pelo país para atestar o funcionamento da rede.
Por fim, o relatório aponta que, embora o grupo cumpra os requisitos básicos para pleitear a recuperação judicial, a documentação entregue apresentou lacunas. Caberá ao Tribunal de Justiça de São Paulo deliberar nas próximas semanas sobre o prosseguimento do processo e o futuro das medidas cautelares solicitadas pela varejista.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
