O jornal equatoriano Expreso, conhecido por sua postura de oposição ao governo, encerrará permanentemente a circulação de sua edição impressa no próximo dia 9 de outubro. A decisão foi comunicada oficialmente pela Granasa, editora responsável pela publicação e com sede na cidade de Guayaquil, que classificou o momento como um dos capítulos mais difíceis em seus 53 anos de história.
De acordo com a empresa jornalística, a medida drástica é o resultado direto de uma intensa perseguição movida pela administração do presidente Daniel Noboa, no poder desde 2023. A editora denunciou publicamente que o objetivo central das ações governamentais sempre foi o de interferir diretamente na linha editorial independente do veículo.
O colunista Martín Pallares, em declaração prestada a uma emissora de televisão local na terça-feira (6), lamentou o desfecho e pontuou que o governo alcançou sua meta. Para ele, o desaparecimento da versão em papel representa uma vitória institucional da atual gestão sobre a imprensa crítica.
A controvérsia jurídica e estatal teve contornos mais claros em fevereiro, quando o periódico revelou que a intervenção do Estado foi desencadeada após a recusa da Granasa em entregar dados sigilosos sobre seus assessores jurídicos. A demanda partiu da Inmobiliar, órgão governamental encarregado de administrar bens confiscados que detém uma participação minoritária de 2,56% na editora.
Embora a marca vá manter sua atuação por meio de sua versão digital, a diretoria do veículo alertou que o fim da circulação impressa eliminará uma importante fonte de receita financeira. Esse faturamento era fundamental para garantir a sustentabilidade de dezenas de trabalhadores e o sustento de suas famílias, abrindo caminho para um processo de liquidação repleto de desafios operacionais.
Diante do cenário de restrição à liberdade de imprensa no país sul-americano, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) manifestou profunda preocupação com a intervenção executada nas operações da Granasa, somando-se às vozes que alertam para os riscos enfrentados pelo jornalismo independente no Equador.
Fonte: noticias.uol.com.br
