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Imobilismo ou estelionato eleitoral marcam programas econômicos de Flávio e Lula

A discussão sobre os programas econômicos dos candidatos à Presidência no segundo turno carece de profundidade, oscilando entre generalidades, promessas vagas e o foco restrito no cenário fiscal.

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Imobilismo ou estelionato eleitoral marcam programas econômicos de Flávio e Lula

A discussão em torno do programa econômico dos candidatos à Presidência da República tem se mostrado escassa e superficial no atual cenário eleitoral. O debate público frequentemente se resume a frases de efeito, camuflagens programáticas e generalidades que pouco esclarecem o eleitor sobre o futuro da economia nacional.

Embora a questão fiscal e o controle de gastos do governo e impostos ocupem o centro das atenções por sua urgência, outros temas cruciais acabam negligenciados. A possível votação do fim da escala de trabalho 6×1 mobilizou os finalistas, mas o debate aprofundado sobre os dramáticos problemas do mundo do trabalho e o financiamento da Previdência Social permanece em segundo plano diante do avanço da pejotização, da precarização e da informalidade.

No campo das relações econômicas internacionais, as propostas também geram incertezas. Em relação a Luiz Inácio Lula da Silva, o histórico aponta para um protecionismo estável, multilateralismo vago, foco no chamado Sul Global e acordos limitados de abertura comercial. Por outro lado, o bolsonarismo associado a Flávio Bolsonaro é marcado por alianças alinhadas aos Estados Unidos, retórica de livre-comércio e histórico de volatilidade na política externa.

Questões sensíveis como a regulação de empresas de tecnologia, o combate a paraísos fiscais e os compromissos com acordos ambientais internacionais também geram dúvidas sobre os rumos de uma eventual administração. A União Europeia e os Estados Unidos mantêm barreiras rígidas contra importações ligadas à devastação ambiental, o que impacta diretamente o comércio exterior brasileiro e a obtenção de financiamentos externos.

Outro ponto crítico levantado diz respeito à pesquisa, à ciência e à reforma das universidades, fundamentais para a transição energética e o desenvolvimento tecnológico. O desempenho do atual governo nessa área foi avaliado como modesto, enquanto a relação histórica do bolsonarismo com as instituições de ensino superior enfrentou severas críticas.

Por fim, no plano fiscal, o cenário aponta para o risco de imobilismo ou de estelionato eleitoral. Analistas avaliam que propostas de continuidade podem empurrar problemas estruturais com a barriga, enquanto promessas radicais de mudanças sem base sólida costumam desembocar em crises econômicas históricas, exigindo maior rigor na análise das propostas apresentadas pelos candidatos.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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