O economista e ex-diretor do Credit Suisse, Marcelo Kayath, apontado como um dos nomes cotados para assumir o Ministério da Fazenda em uma eventual gestão do senador Flávio Bolsonaro (PL), manifestou-se contrariamente ao modelo apelidado de ‘Posto Ipiranga’, termo que marcou a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 para se referir a Paulo Guedes.
Em entrevista concedida à emissora CNN, Kayath argumentou que a pasta econômica exige um grupo coeso, focado em metas e orientado a resultados, no qual eventuais vaidades pessoais fiquem relegadas a segundo plano. Para ele, a premissa de que uma única pessoa brilhante resolverá todos os problemas do país não reflete a realidade da gestão pública moderna.
Apesar da forte crítica ao modelo de concentração de poderes, o economista fez questão de ressalvar que sua avaliação não constitui um ataque pessoal ao ex-ministro Paulo Guedes. Segundo Kayath, o próprio Guedes não concebeu tal rótulo, tendo sido apenas chamado dessa forma, e reiterou seu profundo respeito pela trajetória do ex-chefe da economia nacional.
Na visão de Kayath, a função principal do ministro da Fazenda vai além da competência estritamente técnica, exigindo habilidades agudas de articulação política e coordenação de equipes. Ele pontuou que o conhecimento técnico é um requisito obrigatório, mas isoladamente insuficiente para garantir o sucesso das políticas públicas.
Questionado a respeito da possibilidade de integrar o primeiro escalão em um possível mandato de Flávio Bolsonaro, o economista esclareceu que jamais tratou desse tema com o parlamentar. Destacou, ainda, que é prudente aguardar o desfecho das urnas e compreender quais seriam as diretrizes e a força política do futuro governo.
Como exemplo histórico de desalinhamento institucional que pode comprometer a agenda econômica, Kayath relembrou a gestão de Joaquim Levy à frente da Fazenda em 2015, durante o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Na avaliação do economista, a tentativa de implementar ajustes fiscais sem a convicção e o respaldo político da chefe do Executivo ilustra os riscos de uma condução isolada.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
