Quatro em cada dez egressos, o equivalente a 42,4% dos formados em universidades e faculdades privadas do país, representam a primeira geração de suas famílias a conseguir conquistar um diploma de ensino superior. O dado integra a Pesquisa de Empregabilidade 2026, realizada pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo), entidade que representa as empresas privadas do setor no Brasil.
De acordo com o levantamento, o impacto da formação na vida financeira dos estudantes é direto e expressivo, traduzindo-se na multiplicação da renda familiar e individual. Entre os formados que declararam receber até R$ 1.000 por mês antes de concluir a graduação, impressionantes 91,8% conseguiram migrar para uma faixa salarial superior após a conclusão do curso.
Para as mantenedoras de instituições privadas, esses números servem como um indicador concreto do retorno financeiro do investimento realizado pelos alunos, demonstrando que a educação superior comercializada por essas faculdades se converte efetivamente em melhoria de ganhos financeiros e ascensão social.
Lúcia Teixeira, presidente do Semesp e da Unisanta (Universidade Santa Cecília), destaca que os dados comprovam a relevância do ensino superior como instrumento de combate às desigualdades. Anos adicionais de estudo mostram forte correlação com a elevação dos rendimentos, viabilizando a quebra do ciclo de pobreza e consolidando a educação como principal alavanca de mobilidade social.
A coleta de dados da pesquisa ocorreu entre os dias 8 de julho e 23 de agosto por meio de questionários estruturados, ouvindo 4.106 egressos vinculados a 200 instituições privadas diferentes e abrangendo um total de 134 cursos superiores.
Quando o recorte considera a cor ou raça dos entrevistados, a proporção de pioneiros no ensino superior é ainda mais expressiva entre a população preta, alcançando 51,6%. Entre os estudantes autodeclarados brancos, o índice de concluintes que são os primeiros da família a obter um diploma é de 37,8%.
O estudo também evidencia uma forte relação entre os níveis mais elevados de escolaridade e o rendimento médio no mercado de trabalho. A renda média registrada é de R$ 4.630 entre os profissionais com graduação, saltando para R$ 6.684 entre aqueles que completaram uma pós-graduação lato sensu, e atingindo R$ 9.262 entre mestres, doutores e portadores de pós-doutorado.
Os números delimitam claramente o mercado de educação continuada: o rendimento de quem possui uma especialização lato sensu supera em 44,3% o dos graduados, enquanto a remuneração daqueles com formação stricto sensu equivale praticamente ao dobro. Para Lúcia Teixeira, a pesquisa consolida o diploma como uma ferramenta real e transformadora na trajetória de famílias inteiras.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
