Mulheres que passam pela menopausa em idade mais precoce podem apresentar uma trajetória menos favorável no envelhecimento cerebral ao longo das décadas seguintes. É o que aponta um estudo publicado recentemente na revista científica Jama Network Open. A investigação acompanhou 2.603 mulheres por um período de até 18 anos, identificando ligações diretas entre o momento da menopausa e alterações na estrutura e na função do órgão.
O principal indicador observado pelos pesquisadores envolve as chamadas hiperintensidades da substância branca, que aparecem como áreas mais claras em exames de ressonância magnética. Entre as participantes que tiveram menopausa espontânea — de maneira natural, sem intervenção cirúrgica ou tratamentos —, uma diferença de cinco anos na idade do evento esteve associada a um aumento de cerca de 15% no volume dessas alterações ao longo de dez anos.
A substância branca é composta predominantemente por fibras nervosas que fazem a conexão entre diferentes áreas do cérebro, viabilizando a troca de informações essencial para funções como memória, atenção e controle motor. Embora o surgimento de tais hiperintensidades seja comum com o avanço da idade e esteja associado a alterações vasculares e danos nos nervos, o acúmulo expressivo ao longo dos anos pode refletir uma pior saúde cerebral.
Além das imagens obtidas por ressonância, o estudo avaliou o desempenho cognitivo das voluntárias. Aquelas que entraram na menopausa mais cedo demonstraram um ritmo mais acelerado de declínio cognitivo global, com impacto particular sobre a memória episódica, responsável por recordar fatos e experiências pessoais vividas.
Os autores enfatizam, contudo, que o trabalho possui caráter observacional e não permite estabelecer uma relação direta de causa e efeito. Isso significa que os resultados não indicam que a menopausa precoce provoque diretamente o Alzheimer ou outros quadros de demência, mas sugerem que a transição reprodutiva precoce compõe a trajetória multifatorial do envelhecimento cerebral.
Entre as hipóteses levantadas pelos pesquisadores está a influência do estrogênio, hormônio cuja produção diminui progressivamente com a menopausa e que desempenha papéis relevantes no metabolismo energético, na regulação da inflamação e na atividade cerebral. Outra possibilidade considerada é a existência de um processo geral de envelhecimento biológico acelerado, que influenciaria tanto a chegada precoce da menopausa quanto as alterações cerebrais posteriores.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
