Michael Brian Davis, sócio nos Estados Unidos da Go Up, produtora do filme “Dark Horse”, rejeitou um pedido formal da Polícia Federal para entregar de forma voluntária documentos detalhando as despesas da produção executada em solo norte-americano.
Em comunicações enviadas à representação da empresa no Brasil, Davis sustentou que não autoriza o repasse de papéis societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais sem que exista uma determinação expressa de um juiz dos Estados Unidos.
A investigação em curso envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que desde julho é formalmente investigado sob a suspeita de negociar diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro repasses financeiros volumosos para viabilizar a obra cinematográfica baseada na biografia de Jair Bolsonaro.
Documentos que tiveram o sigilo suspenso pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, indicam que a PF havia solicitado à sócia brasileira Karina Gama cópias de faturas, contratos com atores internacionais, como Jim Caviezel, e relatórios de gastos.
A defesa de Karina encaminhou parte do material financeiro exigido às autoridades brasileiras, mas anexou a manifestação contrária de Michael Davis, que alegou por meio de correio eletrônico que pedidos internacionais devem seguir estritamente os canais diplomáticos e de cooperação jurídica.
De acordo com os apontamentos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, as apurações também recaem sobre a conduta de Eduardo Bolsonaro, apontado como gestor do dinheiro arrecadado e residente nos Estados Unidos, com suspeitas de desvio de verbas para despesas pessoais.
Diante da revelação parcial dos autos judiciais, Flávio Bolsonaro defendeu publicamente a retirada total da confidencialidade do caso, afirmando estar convicto de que a transparência comprovará a legalidade de todo o financiamento recebido para a realização do longa-metragem.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
