O Rock in Rio viveu uma sexta-feira diferente em sua edição de 2026, com o Parque Olímpico tomado por crianças, adolescentes e seus pais para a primeira incursão profunda do festival no universo do k-pop. A data foi inteiramente reservada ao gênero sul-coreano, atraindo um público com média de idade visivelmente inferior à registrada em outros dias do evento, inclusive superando a mobilização vista em edições voltadas ao trap.
Apesar da forte mobilização nas redondezas, onde camelôs vendiam camisetas do Stray Kids aos montes, os ingressos não esgotaram e ainda podiam ser adquiridos enquanto as apresentações aconteciam. A situação repetiu o cenário visto nos dias encabeçados por Foo Fighters e Avenged Sevenfold, mostrando que a curadoria busca alternativas em meio aos desafios de lotação pós-pandemia.
O line-up do palco Mundo contou com três atrações do estilo. O grupo NEXZ abriu os trabalhos com uma performance coreografada e marcada por forte uso de playback, funcionando como um aquecimento enérgico. Em seguida, a cantora Hwasa, integrante do Mamamoo, apresentou seu show solo acompanhada por uma banda ao vivo, mesclando vocais potentes com referências que iam do rock ao hyperpop.
A principal atração da noite, o Stray Kids, entregou uma apresentação dinamicamente intensa e pesada, destacando-se por batidas de hip-hop, versos acelerados e trocas constantes de andamento. Diferindo do estereótipo tradicional das boybands, o grupo misturou vocais melódicos a arranjos mais agressivos e ainda interagiu com a plateia com o auxílio de um tradutor no palco.
O evento evidenciou um contraste na circulação do público pelo Parque Olímpico. Enquanto os fãs de k-pop concentraram-se majoritariamente em garantir espaço próximo à grade do palco Mundo — o que gerou superlotação e pedidos de cautela devido ao calor —, os demais palcos do festival mantiveram frequências de público mais adultas e desvinculadas da cultura coreana.
A passagem do k-pop pelo Rock in Rio consolida a força de comovência do gênero no Brasil, que já havia demonstrado seu potencial com o grupo BTS em 2019 e recordes de público do próprio Stray Kids em estádios no ano passado. Para o festival, a aposta funcionou como ferramenta de renovação, apresentando a cultura de grandes eventos musicais a uma nova geração de espectadores.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
