Apesar dos pedidos do líder chinês Xi Jinping para que o Brics assuma um papel de protagonista na paz do Oriente Médio, o grupo integrado pelo Brasil e outros países adotou neste sábado (12) uma resolução apenas genérica acerca da paz na região conflagrada.
O texto final da 18ª reunião anual do grupo, realizada em Nova Déli, na Índia, afirmou que seus membros expressam profunda preocupação com o conflito, pediu máxima contenção dos envolvidos e uma abordagem multilateral pela paz, sem citar nominalmente os beligerantes Estados Unidos, Israel e Irã.
Um dos principais motivos para a cautela foi a presença de delegações do Irã e dos Emirados Árabes Unidos à mesa de discussões. A existência de uma declaração unânime, ainda que sem assinaturas formais, foi considerada uma vitória diplomática do anfitrião e primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
O tom pouco específico do comunicado reflete as divergências internas de uma organização que começou em 2009 com quatro membros e chegou a 2026 com dez integrantes. Questões como sanções unilaterais e guerras tarifárias também ganharam menções genéricas que evitam o confronto direto com potências ocidentais.
Durante o evento, o líder chinês Xi Jinping buscou avançar sua influência no bloco ao exortar o Brics a tornar-se mediador das crises internacionais. No entanto, analistas apontam que a falta de consenso político interno limita o alcance prático dessas aspirações coletivas.
A ausência do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, motivada por compromissos de campanha eleitoral, marcou ainda mais o caráter fragmentado da cúpula deste ano, evidenciando como os interesses nacionais de cada país sobressaem frente aos objetivos globais da coalizão.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
