O assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes completou um ano com doze suspeitos denunciados pelo Ministério Público. O crime, ocorrido em Praia Grande, no litoral paulista, deixou oito pessoas presas, três foragidas e uma mulher respondendo em liberdade após passar dois meses detida, enquanto todos aguardam o andamento do processo para eventual julgamento em júri popular.
De acordo com as investigações da promotoria, o ataque durou menos de um minuto e foi marcado por uma sincronia meticulosa. Os criminosos aguardavam a vítima em uma caminhonete Toyota Hilux, nas proximidades da prefeitura local, enquanto comparsas em um veículo Renault Logan monitoravam e repassavam os passos do ex-delegado em tempo real através de uma chamada de vídeo em grupo.
A investigação apontou que, momentos antes dos disparos de fuzil que vitimaram Ruy Ferraz, suspeitos mantiveram uma videoconferência para alinhar os movimentos. O ex-delegado tentou fugir acelerando o automóvel, mas foi perseguido por cerca de 400 metros até colidir contra um ônibus, momento em que os agressores desembarcaram e efetuaram dezenas de tiros.
As autoridades apontam como motivação principal ordens emitidas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que jurou o delegado de morte após ele ter indiciado a cúpula da organização criminosa em 2006. Uma carta apreendida em 2019 com cobranças para a execução é a principal evidência da motivação, embora a denúncia não estabeleça uma conexão direta com os réus além da acusação de integrarem o grupo criminoso.
Entre os alvos da investigação e da denúncia, há suspeitos apontados como executores, apoiadores logísticos, responsáveis por alugar esconderijos ou encobrir provas. A polícia utilizou dados de telefones celulares, impressões digitais, imagens de câmeras de segurança e denúncias anônimas para identificar os envolvidos, cujas defesas têm negado veementemente qualquer participação no homicídio.
Enquanto o processo tramita na Justiça sem prazo definido para a decisão sobre o júri popular, figuras apontadas inicialmente como possíveis mandantes foram descartadas por falta de provas materiais diretas. O caso segue mobilizando forças de segurança na tentativa de capturar os três foragidos restantes e esclarecer todos os detalhes da conspiração que resultou na morte do ex-delegado.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
