A defesa do eletricista Vanderlei Magalhães Natividade, apontado formalmente em documentos como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), informou nesta segunda-feira (14) que ele nunca exerceu qualquer atividade de fato na entidade. O instituto é comandado pela empresária Karina da Gama e possui um contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo.
Natividade é apontado pela Polícia Federal como a pessoa cuja assinatura aparece em documentos relacionados a movimentações financeiras que totalizaram cerca de R$ 83 milhões do ICB em apenas um ano. A residência dele foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo os advogados Miguel Kupermann e Matheus Yasbeck Montenegro, o eletricista apenas se dispôs a ajudar na criação do ICB a pedido de sua prima, Karina da Gama, há cerca de 12 anos, ocasião em que foi registrado formalmente como tesoureiro estatutário. A defesa reforça que ele jamais movimentou contas bancárias da entidade ou recebeu valores em decorrência da função.
Os representantes legais explicaram que a proximidade familiar e a relação de confiança com a empresária justificam o uso de seu nome na constituição do instituto. De acordo com os advogados, Vanderlei atua como um pequeno empresário prestando serviços de eletricista nas regiões Norte e Oeste de São Paulo, não possuindo envolvimento com política, eventos ou com a produção do filme “Dark Horse”.
O Instituto Conhecer Brasil não retornou aos contatos da reportagem para esclarecer o motivo de o eletricista ainda constar como tesoureiro nas investigações da Polícia Federal. Enquanto isso, a defesa de Karina da Gama informou ter apresentado uma reclamação constitucional ao STF logo após a operação policial realizada na última quinta-feira.
A defesa da empresária destacou que a medida jurídica busca garantir a competência do juiz natural e o cumprimento de decisões da Suprema Corte, ressaltando ainda que a investigada vinha colaborando espontaneamente com as autoridades e entregou mais de 20 mil páginas de documentos para análise da Polícia Federal.
Fonte: g1.globo.com
