As relações pessoais e profissionais do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com magistrados do Supremo Tribunal Federal têm gerado forte repercussão na condução de processos dentro da corte. Documentos e mensagens extraídas pela Polícia Federal do telefone celular de Vorcaro revelam conexões e tratativas envolvendo cinco ministros do tribunal supremo.
O ministro Dias Toffoli atuou inicialmente como o primeiro relator do caso na corte, mas acabou deixando a condução do processo em março. A mudança ocorreu após a Polícia Federal enviar um relatório ao presidente da corte, Edson Fachin, detalhando transferências financeiras entre uma empresa da família de Toffoli e fundos associados ao Banco Master. Além disso, registros indicam que o magistrado viajou em um avião ligado a Vorcaro.
Outro desdobramento ocorreu quando o ministro Kassio Nunes Marques declarou-se suspeito e optou por não participar de um julgamento do caso, na sequência da divulgação de diálogos que citavam tratativas de pagamentos articulados por Vorcaro para seu filho. A defesa do advogado Kevin Marques negou irregularidades, afirmando que os valores recebidos decorreram de serviços jurídicos tributários sem relação com o STF.
O ministro Alexandre de Moraes também foi citado nas investigações. Análises da Polícia Federal apontam que o ex-banqueiro consultou Moraes sobre a possibilidade de deixar o país dias antes de sua prisão em novembro de 2025. Registros também indicam edições contratuais e viagens em jatos de empresas associadas a Vorcaro, embora o magistrado tenha negado veementemente qualquer comunicação imprópria e classificado as acusações como ilações para atacar o tribunal.
O ministro André Mendonça teve seu nome associado a um encontro de cerca de duas horas com Vorcaro em março de 2025, articulado por intermediários. Mendonça confirmou publicamente a reunião meses depois e declarou que a conversa tratou de precatórios. Posteriormente, o ministro deixou a sociedade de um instituto fundado por ele, o que motivou novos pedidos de investigação interna na corte.
Por fim, o ministro Luiz Fux também foi citado em conversas que apontavam proximidade entre Vorcaro e seu filho, o advogado Rodrigo Fux. Durante sessão plenária recente, Luiz Fux negou qualquer relação com o ex-banqueiro e afirmou nunca tê-lo visto na vida, ao passo que a defesa do filho do ministro reiterou que nunca houve prestação de serviços ou recebimento de valores vindos do grupo de Vorcaro.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
