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Tradição diplomática: entenda por que o Brasil sempre abre a Assembleia Geral da ONU

Na próxima terça-feira, o presidente brasileiro será o primeiro chefe de Estado a discursar no evento da ONU em 2026, mantendo uma tradição histórica.

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Tradição diplomática: entenda por que o Brasil sempre abre a Assembleia Geral da ONU

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que viajará para Nova York com o objetivo de participar da Assembleia Geral da ONU e realizar reuniões diplomáticas. Na próxima terça-feira, ao subir à tribuna da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, o mandatário brasileiro será o primeiro chefe de Estado a discursar no evento de 2026, repetindo uma praxe consolidada no mais importante debate diplomático global.

A primazia brasileira na tribuna não decorre de regras escritas, mas sim de uma forte tradição diplomática. Conforme registros históricos da Fundação Alexandre de Gusmão, a prática teve início em 1949, durante o cenário de confronto da Guerra Fria, com o intuito de evitar o favoritismo a potências como os Estados Unidos ou a União Soviética.

Desde então, o procedimento transformou-se em rotina institucional: antes de formalizar a lista de oradores, o secretário-geral da ONU envia uma consulta à missão brasileira para confirmar o interesse na manutenção da abertura. A resposta positiva constante preserva uma honraria que distingue o país no cenário internacional.

Especialistas apontam que a abertura confere ao Brasil uma vitrine singular e peso estratégico considerável. Enquanto várias delegações concentram-se em assuntos tópicos, o país historicamente aproveita o espaço para expor análises amplas da conjuntura mundial, priorizando temas estruturais como o combate à fome, o desenvolvimento socioeconômico e a reforma de instituições multilaterais.

Além do simbolismo associado à atuação de figuras históricas como Oswaldo Aranha na criação da Carta da ONU, a posição de destaque reflete a confiança depositada na diplomacia brasileira como mediadora de conflitos. Especialistas lembram que, embora a primazia possa ser vista como um reconhecimento alternativo à ausência de um assento permanente no Conselho de Segurança, ela garante ampla repercussão aos posicionamentos do país.

Ao longo das décadas, os discursos brasileiros na abertura oscilaram entre diferentes orientações governamentais, mantendo porém linhas mestras voltadas ao multilateralismo, à democracia e ao desenvolvimento sustentável. Desse modo, a tradição consolida-se não apenas como um protocolo histórico, mas como um instrumento efetivo de projeção política e diplomática no âmbito global.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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