O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Uruguai autorizou o Brasil a usar parte do saldo de sua cota de exportação de carne bovina para a China. O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (21) após reunião com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU.
A medida pode ampliar os embarques brasileiros e abrir novas perspectivas para frigoríficos de Mato Grosso do Sul, que viram suas vendas para o mercado chinês despencarem nos últimos meses devido ao esgotamento do teto nacional.
O Brasil já havia consumido a cota de 1,106 milhão de toneladas reservada ao país para 2026. Como a China cobra uma tarifa adicional de 55% sobre o excedente, a competitividade fora da cota fica severamente comprometida, tornando o saldo uruguaio uma alternativa estratégica.
A restrição tarifária afetou fortemente a economia sul-mato-grossense. As exportações estaduais de carne bovina para a China caíram 78,4% em volume entre julho e agosto, despencando de 11,29 mil para 2,43 mil toneladas, conforme dados oficiais.
Apesar da nova alternativa diplomática, a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) avalia que o impacto em 2026 será limitado. O aproveitamento do volume ainda depende do aval oficial do governo chinês e dos prazos logísticos de embarque até o final do ano.
Olhando para o futuro, o setor já demonstra preocupação com o ano de 2027. Com direito a uma cota de 1,128 milhão de toneladas, a Abiec alerta que o volume pode se esgotar logo nos primeiros meses, exigindo novos mecanismos para diluir as vendas ao longo do calendário.
Fonte: www.campograndenews.com.br
