
O ex-deputado estadual Sérgio Pereira Assis, o filho dele Mário Sérgio Cometki e os empresários Pedro Henrique Cardoso e Wanderley Soares Barboza Júnior foram alvos de denúncia por estelionato e associação criminosa. O processo foi formalizado pelo promotor Leoni Carvalho Neto na Vara Cível e Criminal de Comodoro, em Mato Grosso, após investigações apontarem um prejuízo de R$ 57,7 milhões ao produtor rural Silvano dos Santos.
Funcionamento do esquema
De acordo com o Ministério Público do Mato Grosso (MPMT), o grupo utilizava as empresas Santa Felicidade Agro Indústria Ltda. e Imaculada Agronegócios Ltda. para movimentar grandes volumes de grãos e conquistar a confiança da vítima. A fiscalização da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) e a Polícia Civil identificaram inconsistências como o consumo irrisório de energia elétrica em uma empresa que declarava beneficiamento expressivo de grãos, além de registros de viagens de caminhões com intervalos de tempo fisicamente inviáveis.
A investigação aponta que os pagamentos ocorreram normalmente até novembro, mas cessaram em dezembro de 2025, deixando o agricultor com dívidas acumuladas com fornecedores. Para honrar obrigações, o produtor relatou ter contraído empréstimos bancários e cooperativos, além de negociar a venda de uma aeronave ao grupo por R$ 5,8 milhões, da qual restou saldo em aberto. Como garantia, os investigados teriam indicado um imóvel envolvido em disputas judiciais.
Operação policial e defesas
O caso veio a público em março com a deflagração da Operação Agro-Fantasma, que cumpriu mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Cuiabá e Alto Taquari. Na ocasião, Sérgio Pereira Assis foi alvo de mandado em Campo Grande e preso em flagrante por posse de munições, sendo liberado após pagamento de fiança de R$ 5 mil.
Em manifestações anteriores, a defesa do ex-deputado negou qualquer vínculo com as empresas investigadas, afirmando que ele não integrava o quadro societário, não exercia funções administrativas e tampouco possuía procuração para representar a companhia. A defesa de Pedro Henrique Cardoso afirmou na época que o empresário havia sido ameaçado pelo produtor rural e apresentado garantias patrimoniais superiores a R$ 150 milhões para tentar negociar o débito.
