A discussão em torno da restrição às casas de apostas, conhecidas como bets, movimentou expressivamente o ambiente digital brasileiro entre os dias 14 e 21 de setembro. De acordo com um levantamento conduzido pelo Instituto DX (Democracia em Xeque), o tema acumulou 654,8 mil publicações e alcançou a marca de 9,3 milhões de interações nas redes sociais.
O ápice da repercussão digital ocorreu no dia 18 do mesmo mês, impulsionado diretamente por dois acontecimentos centrais: a publicação de um manifesto coletivo assinado por clubes de futebol contrários à proibição da jogatina e a subsequente resposta oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu publicamente que o esporte nacional não depende das plataformas de apostas para sobreviver.
O instituto analisou uma amostra composta por 19 mil perfis de destaque, incluindo atores políticos, influenciadores digitais e veículos de imprensa, segmentando o debate em cinco eixos temáticos principais. O posicionamento institucional de Lula, que popularizou o lema ‘bet não é futebol’, concentrou impressionantes 53% de todas as interações registradas, embora representasse apenas 6% do total de publicações analisadas.
Em paralelo, o manifesto subscrito por 15 equipes de futebol e o consequente debate sobre o suposto ‘fim do futebol brasileiro’ responderam por 32% das postagens, gerando 10% das interações. Outro eixo com expressiva participação no volume de conteúdo abrangeu discussões sobre o endividamento familiar, os riscos do vício em jogos e a medida provisória em estudo pelo governo para impor restrições ao setor, somando 32% das publicações e 17% das interações.
A análise detalhada dos comentários em publicações oficiais de clubes como Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo revelou forte rejeição por parte dos torcedores ao posicionamento adotado pelas diretorias. Foram identificadas diversas manifestações de crítica com termos como ‘vergonha’ e ‘lamentável’, além de questionamentos diretos sobre a dependência financeira dos times em relação às empresas de apostas.
Por fim, a vertente ideológica da conversa mostrou que perfis identificados com a esquerda foram responsáveis por 66% das postagens e 90% das interações do grupo analisado, priorizando o tema do endividamento das famílias. Já a extrema-direita direcionou o foco majoritariamente para a relação entre o mercado de apostas e a economia nacional, enquanto a discussão sobre a inclusão das bets na revisão do cálculo do PIB pelo IBGE deteve menor tração, liderada pontualmente pelo campo direitista.
Fonte: redir.folha.com.br
