O jurista e professor Wálter Maierovitch foi o convidado do programa Roda Viva, onde direcionou fortes críticas à postura do atual procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. Durante a entrevista, o desembargador aposentado questionou a imparcialidade do chefe do Ministério Público Federal em relação às investigações que envolvem o chamado caso Master.
Para o especialista, a atuação de Gonet diante das apurações tem se assemelhado à de um advogado de defesa. O estopim para as manifestações críticas foi a divulgação de um registro fotográfico, datado de abril de 2024, que mostra o procurador-geral consumindo uísque e charutos na companhia de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master e figura central em investigações policiais.
Apesar de o procurador-geral ter confirmado a autenticidade do registro e classificado o contato com o empresário como uma relação brevíssima e banal, Maierovitch avalia que o episódio configura uma grave quebra de decoro institucional. O jurista destacou que autoridades de cargos tão elevados devem zelar pela reputação e manter distância de figuras sob suspeita, utilizando o ditado popular de que “à mulher de César, não basta ser, precisa parecer”.
O convidado do programa também estendeu suas críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), citando nominalmente figuras como Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Segundo sua avaliação, autoridades desse patamar por vezes deixam de lado as exigências de seus cargos para atuar na defesa de suspeitos e atenuar escândalos, em vez de cumprirem estritamente o papel de representação do Estado e da sociedade.
Além da conduta de Gonet, Maierovitch cobrou uma postura mais ativa por parte do Senado Federal frente ao caso. O jurista recordou que a Constituição Federal confere aos senadores a prerrogativa de afastar o procurador-geral, mas lamentou a aparente inércia do Poder Legislativo diante dos acontecimentos recentes.
O episódio, contudo, continuará a gerar desdobramentos nas instâncias internas de controle. Está marcada para o próximo dia 25 uma audiência no Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) com o objetivo de deliberar formalmente sobre a conduta de Paulo Gonet dentro da instituição.
Fonte: cultura.uol.com.br
