O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, destinou uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil para um projeto esportivo a pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, miliciano condenado por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco. A negociação da verba ocorreu em 2023 entre Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro, secretária parlamentar no gabinete de Flávio no Senado.
A Polícia Federal encontrou indícios de que o dinheiro da emenda foi desviado. O caso veio à tona após investigações que resultaram na apreensão do celular de Peixe em 2024. Os diálogos obtidos pela PF mostram tratativas diretas entre o miliciano e a assessora do senador para viabilizar os repasses financeiros destinados ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP).
Em fevereiro deste ano, Robson Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 9 anos de prisão e à perda do cargo de policial militar reformado. Ele foi apontado como o elo entre os executores da vereadora e os mandantes do crime, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. As mensagens revelam que a assessora de Flávio Bolsonaro mantinha proximidade com Peixe, chegando a convidá-lo para eventos institucionais no Rio de Janeiro.
De acordo com os relatórios da Polícia Federal, o senador repassou R$ 199.999,79 para o Ministério do Esporte, que formalizou o termo de fomento com o IFOP para o projeto esportivo ‘Jogadores do Futuro’, em Taquara, na zona oeste fluminense. No entanto, auditorias técnicas do Tribunal de Contas da União (TCU) realizadas em 2025 apontaram sérias irregularidades, incluindo a contratação de uma empresa de advocacia sem relação com atividades esportivas e cujo responsável era o próprio presidente do instituto.
Além das tratativas sobre as emendas, a investigação apontou que a assessora parlamentar solicitou favores pessoais ao miliciano, como ingressos para camarotes no Sambódromo do Rio de Janeiro. As conversas fazem parte de uma apuração sigilosa em curso no Supremo Tribunal Federal sobre desvios de recursos públicos direcionados a entidades ligadas aos irmãos Brazão.
Por meio de nota oficial enviada por sua assessoria, o senador Flávio Bolsonaro declarou que a emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos exigidos pelo Ministério do Esporte. A defesa pontuou ainda que a responsabilidade pela execução dos recursos é integralmente da entidade beneficiária e que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos competentes.
Fonte: g1.globo.com
