O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação conjunta conta também com o apoio fundamental da Polícia Federal para desarticular um esquema sofisticado de ocultação de capitais.
De acordo com as investigações em curso, a estrutura criminosa foi montada estrategicamente para disfarçar o controle de uma usina sucroalcooleira. Para burlar os órgãos de fiscalização e conferir aparência legal aos recursos, a organização utilizou o suporte de fintechs na movimentação financeira ilícita.
Entre as descobertas da força-tarefa, destaca-se a identificação de uma operação específica vinculada à usina que atinge o montante aproximado de R$ 370 milhões. Todo esse valor foi movimentado por meio de camadas complexas criadas pelos criminosos justamente para dificultar a identificação dos beneficiários finais.
A operação tem como alvos diversos executivos de instituições bancárias e de empresas administradoras de recursos. Entre as companhias investigadas está a Entre Investimentos, gerenciada pelo empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, que possui conexões com Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master atualmente preso por fraudes no sistema financeiro.
Durante pronunciamento, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, detalhou o papel da administradora de recursos no esquema. Segundo o ministro, a empresa funcionou como um instrumento direto de ocultação e lavagem de dinheiro, permitindo que uma usina ligada a organizações criminosas adquirisse uma distribuidora de combustíveis que atualmente encontra-se fechada por determinação judicial.
Durigan ressaltou ainda que a atuação criminosa gerou grave desequilíbrio no mercado, promovendo concorrência desleal com o setor formal. No total, os levantamentos da Receita Federal e do Ministério Público apontam que esta nova etapa da Operação Carbono Oculto já identificou uma movimentação espantosa de R$ 11 bilhões por meio das diversas camadas da rede de lavagem de dinheiro inserida no sistema financeiro.
Fonte: ligadonanoticia.com.br
