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Morre Ramiro Bernabó, artista plástica de obra singular e filho de Carybé

Nascido na Argentina e radicado na Bahia, Ramiro Bernabó construiu uma trajetória artística autoral que passou pela pintura, gravura e escultura.

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Morre Ramiro Bernabó, artista plástica de obra singular e filho de Carybé

As expressões artísticas acompanharam Ramiro Bernabó ao longo de toda a sua trajetória, em uma convivência natural impulsionada por seu ambiente familiar. Filho do renomado pintor Carybé, o artista cresceu rodeado por grandes personalidades da cultura nacional, como o escritor Jorge Amado e o artista Calasans Neto, consolidando desde a infância uma forte inclinação para o desenho.

Embora tenha passado praticamente toda a sua vida na Bahia, Bernabó nasceu na Argentina em 1947, mudando-se para o Brasil de navio quando tinha apenas três anos de idade. Guardava memórias marcantes do impacto visual do oceano e da imersão cultural proporcionada pelas festas populares brasileiras, elementos que mais tarde influenciariam sua sensibilidade visual.

Antes de consolidar sua carreira artística por volta dos 20 anos de idade, chegou a prestar vestibular para arquitetura e obteve aprovação, embora tenha optado por não seguir no curso formal. Tornou-se um artista autodidata, dedicando-se à experimentação de diversas técnicas que abrangeram não apenas o desenho, mas também a pintura, a gravura e a escultura.

A individualidade de seu traço foi destacada por familiares e colegas de profissão. Sua irmã Solange Bernabó ressaltou que, apesar da herança paterna, a produção de Ramiro possuía autonomia criativa e características profundamente personalistas, distantes de imitações ou meras continuações de estilo.

Sua estreia em exposições ocorreu em 1967, na cidade de Aracaju, em Sergipe, expandindo posteriormente seu alcance para centros como São Paulo e Rio de Janeiro, além de projeções internacionais para o Peru. Ao longo das décadas seguintes, aprimorou seus conhecimentos estudando gravura em metal na Escolinha de Arte do Brasil e cerâmica no Museu de Arte da Bahia, além de ter sido laureado com o prêmio Copene de Cultura e Arte em 1988.

A forte conexão com a natureza, cultivada desde a infância por meio de coleções de insetos e reforçada por sua paixão pelo mar e longos anos como mergulhador, refletia-se diretamente na visceralidade de suas obras. Amigos e críticos apontavam que suas esculturas em madeira, marcadas por cortes profundos e enérgicos, provocavam reflexões genuínas no público, personificando a essência da arte contemporânea.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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