O governo da França determinou a suspensão imediata do uso de granadas de efeito moral por parte das forças policiais durante manifestações lideradas por estudantes em todo o país. A medida foi anunciada pelo ministro do Interior nesta quarta-feira, respondendo diretamente ao crescimento das acusações de brutalidade policial decorrentes de dias de intensos protestos populares.
Milhares de jovens saíram às ruas em diversas cidades francesas para reivindicar melhores condições estruturais nas escolas de ensino médio, além de criticar a escassez de professores. A gravidade da situação motivou o presidente Emmanuel Macron a convocar uma reunião de emergência com o primeiro-ministro Sebastien Lecornu e outros membros do alto escalão governamental.
A decisão de banir temporariamente os artefatos de efeito moral veio na sequência de episódios graves de ferimentos em menores de idade. Um adolescente de 15 anos acabou perdendo uma das mãos na segunda-feira após ser atingido por um desses dispositivos disparados por agentes de segurança.
Em outro incidente registrado no noroeste de Paris, um estudante de 14 anos sofreu o impacto direto de uma granada de gás lacrimogêneo a curta distância, perdendo múltiplos dentes. O caso específico resultou no indiciamento formal de um policial envolvido na ação.
Diante das crescentes denúncias, a inspeção interna da polícia abriu dezoito investigações para apurar possíveis excessos de conduta desde o início dos atos públicos. Os protestos começaram a tomar forma no final de setembro, quando blocos de alunos trancaram os acessos a centenas de instituições de ensino.
As mobilizações ganharam força com a adesão de pais, professores e trabalhadores sindicalizados em Paris e outras regiões. Embora a maior parte dos atos tenha ocorrido de forma pacífica, confrontos esporádicos e violentos marcaram o cenário, levando a detenções que já superam a marca de 6.500 pessoas, a maioria menores de idade.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
