Últimas notícias
BRASIL

‘Quanto dura um amor de verão?’: ânimo do mercado com Flávio pode ter prazo de validade, avaliam economistas

O resultado do primeiro turno das eleições impulsionou a bolsa e reduziu o dólar, mas economistas alertam que a falta de detalhes sobre o ajuste fiscal pode inverter o otimismo do mercado.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
‘Quanto dura um amor de verão?’: ânimo do mercado com Flávio pode ter prazo de validade, avaliam economistas

O resultado do primeiro turno das eleições colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela presidência da República, enquanto o PL sagrou-se o grande vencedor no Congresso Nacional. O impacto no mercado financeiro foi imediato: o Ibovespa disparou mais de 7%, superou os 206 mil pontos e atingiu recorde histórico na primeira sessão após a apuração, ao passo que o dólar recuou mais de 4%, cotado a R$ 5.

Flávio encerrou o primeiro turno com 47,03% dos votos, contra os 45,16% obtidos por Lula. A diferença de cerca de 2,2 milhões de votos surpreendeu analistas e reforçou no mercado financeiro a expectativa de que aumentaram as chances de um governo com maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas. Essa percepção tem o potencial de reduzir juros futuros e atrair mais investimentos estrangeiros para o país.

Apesar do entusiasmo inicial, diversos especialistas — entre consultores, ex-ministros e ex-diretores do Banco Central — demonstram cautela em relação à perspectiva fiscal de um eventual governo Flávio Bolsonaro. O principal motivo de apreensão é o fato de que a campanha do candidato ainda não apresentou medidas concretas e detalhadas para o equacionamento das contas públicas, o que pode frustrar o humor dos investidores a curto prazo.

Especialistas comparam a lua de mel dos mercados com uma estação passageira. O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, questiona a durabilidade da euforia atual e destaca que o candidato precisará apresentar propostas viáveis e de responsabilidade econômica caso seja eleito. Na mesma linha, Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, aponta que o histórico de Flávio sobre o tema é inexistente e que a agenda de ajuste fiscal é impopular e exigirá alto consumo de capital político.

Para além do período eleitoral, ex-autoridades econômicas ressaltam que o próximo presidente terá margem estreita de tempo para traduzir expectativas em sinalizações concretas. O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega avalia que as diretrizes para estabilizar a dívida pública precisarão ser explicitadas logo após a vitória nas urnas ou, no máximo, no primeiro dia de governo, sob o risco de provocar um colapso rápido de expectativas.

O pano de fundo desse desafio é a trajetória da dívida bruta do Brasil, que atingiu R$ 11,05 trilhões em agosto, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Analistas reiteram que um controle rigoroso do endividamento é indispensável para aliviar as pressões sobre a inflação e a taxa básica de juros, permitindo que a economia brasileira destrave um ciclo sustentável de crescimento e geração de empregos.

Fonte: g1.globo.com

Escrito por

admin