
A Justiça de Campo Grande aceitou a denúncia contra o delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e o advogado Amilton Ferreira de Almeida, que passaram a responder a uma ação penal. Os dois são acusados de tentar obstruir as investigações da Operação Infiltrados, que apura um esquema de desvio de drogas apreendidas no estado de Mato Grosso do Sul.
A decisão foi proferida pelo juiz Adriano da Rosa Bastos, da 2ª Vara Criminal da Capital, após análise da denúncia apresentada na segunda fase da operação, batizada de Obstructio. O magistrado apontou a existência de indícios suficientes para iniciar o processo, mas destacou que os fatos ainda precisarão ser esclarecidos durante a instrução criminal.
Prazos e situação dos réus
Com a notificação oficial, os acusados têm o prazo de dez dias para apresentar defesa prévia, período em que poderão contestar as acusações, arrolar provas e indicar até oito testemunhas cada. O advogado Amilton responde ao processo em liberdade por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), enquanto o delegado Hoffman permanece preso na sede do Garras, em Campo Grande.
A acusação aponta que, na madrugada de 24 de setembro, o advogado teria enviado mensagens via WhatsApp ao delegado para alertá-lo sobre a deflagração da operação, momentos antes do cumprimento de mandados. Registros indicam que o veículo de Amilton circulava pela cidade e passou próximo ao Gaeco no horário que antecedeu a abordagem policial na residência de Hoffman.
Posição das defesas e entidades
A defesa de Amilton nega o repasse de dados sigilosos e sustenta que os encontros e contatos com o delegado ocorriam por motivos profissionais nas primeiras horas do dia. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) ingressou no processo como terceira interessada para acompanhar os desdobramentos por meio da Comissão de Prerrogativas.
