A Hapvida, uma das principais empresas de saúde suplementar do país, passa por um momento de transição em sua diretoria. Luccas Adib assumiu o cargo de CEO da companhia, marcando a primeira vez que a liderança executiva fica a cargo de um profissional sem o sobrenome Pinheiro, que tradicionalmente administrava o negócio. Formado em Direito, o novo executivo possui sete anos de casa, período em que atuou nas diretorias financeira e de tecnologia.
Em sua primeira sabatina à imprensa desde que assumiu a função, Adib destacou que o principal caminho para retomar a confiança do mercado financeiro é a entrega de resultados consistentes. A declaração ocorre após a companhia registrar uma queda de 95,8% no lucro líquido ajustado durante o segundo trimestre de 2026. Segundo o executivo, o processo de reestruturação corporativa — o chamado turnaround — tem previsão de conclusão até 2028.
Para enfrentar os desafios da operação, Adib relatou que dedicou os primeiros meses de gestão à montagem de um novo time de liderança e à criação de uma cadeira específica de estratégia. Historicamente, a companhia trabalhava com um orçamento focado no curto prazo anual; agora, a meta é implementar um planejamento plurianual, voltado para o longo prazo e amparado por uma visão mais quantitativa na tomada de decisões.
O mercado reagiu de maneira desfavorável à última divulgação de balanços da empresa. O CEO explicou que a frustração das expectativas ocorreu principalmente devido ao avanço expressivo nos índices de judicialização, enquanto as demais linhas de receita e custos mantiveram-se alinhadas ao que era projetado. Consequentemente, o momento é de reconstrução de credibilidade por meio de entregas trimestrais sólidas.
Apesar da pressão momentânea, o dirigente reforçou que a empresa conta com uma posição de caixa robusta e cronogramas confortáveis para a amortização de dívidas nos próximos anos. Dessa forma, a organização não possui exigências imediatas de buscar o mercado de capitais no curto ou médio prazo, o que garante estabilidade para executar o projeto de transformação até o final da década.
Por fim, Adib comentou sobre o cenário de alta judicialização que afeta o setor de saúde suplementar brasileiro. Ele apontou que a insegurança jurídica gerada por decisões divergentes exige um esforço nacional de conscientização e educação. A expectativa da diretoria é que ocorra futuramente uma pacificação de entendimentos entre as diretrizes da Agência Nacional de Saúde Suplementar, a lei dos planos de saúde e as normativas judiciais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
