Um grupo expressivo de empresários, economistas, juristas e representantes da sociedade civil divulgou neste domingo uma carta aberta prestando apoio integral às medidas adotadas recentemente pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. O objetivo da iniciativa é tentar conter a severa crise institucional que afeta a corte nas últimas semanas.
No documento, os signatários classificam as revelações recentes como o episódio mais grave da história do Supremo Tribunal Federal e um dos momentos mais delicados da trajetória republicana brasileira. O texto defende total transparência nas investigações em curso e na sessão plenária agendada para a próxima terça-feira.
A carta conta com assinaturas de peso no cenário nacional, incluindo o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, o economista Pérsio Arida, um dos idealizadores do Plano Real, além da ex-presidente do BNDES Maria Silvia Bastos Marques e do ex-presidente da Fiesp Josué Gomes.
Segundo o manifesto, a superação da atual crise demandará reformas institucionais urgentes. Os signatários apontam a necessidade de fortalecer a colegialidade, garantir a imparcialidade nos julgamentos, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões rigorosos de conduta e ampliar o controle social e a transparência sobre a corte e seus integrantes.
A mobilização ocorre em meio a movimentações no tribunal. No sábado, Fachin determinou a troca da relatoria de procedimentos que investigam a ligação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, assumindo ele próprio o comando do caso no lugar de André Mendonça, além de paralisar e requisitar o envio integral de processos vinculados ao INSS e ao Banco Master.
Por fim, o presidente do STF decidiu manter na pauta da sessão plenária da próxima terça-feira apenas o julgamento da investigação relativa à atuação de Alexandre de Moraes e sua proximidade com Vorcaro. A apuração envolvendo o ministro André Mendonça foi agendada para a semana subsequente, evidenciando o esforço da presidência em conduzir os desdobramentos sob escrutínio público.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
