O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, conta com um forte suporte político e institucional de ex-ministros, juristas e empresários. A manifestação, articulada e reiterada neste domingo, tem como objetivo principal garantir a realização da sessão marcada para esta terça-feira, na qual serão analisadas as mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com assessores de Fachin ouvidos pelo blog, a expectativa é de que essa expressiva pressão pública e institucional também sirva para evitar qualquer tentativa de suspensão da sessão, assegurando que uma decisão definitiva seja tomada pelo tribunal.
A preferência da equipe do ministro é que o plenário decida a favor da investigação das mensagens trocadas entre o banqueiro e o magistrado. Além disso, o grupo defende que a apuração seja comandada diretamente pelo presidente da corte, como forma de garantir total independência ao processo.
Essa condução é considerada fundamental na avaliação de assessores do presidente do STF, especialmente após o embate público ocorrido entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Foi justamente em razão desse cenário que Fachin assumiu a relatoria da petição apresentada por Mendonça contra Moraes referente às conversas do magistrado.
Com esse formato de relatoria, a expectativa no Supremo é convencer o grupo de Moraes de que ele não sofrerá nenhum tipo de perseguição e que disporá de todo o espaço necessário para apresentar sua defesa de forma ampla e transparente.
A nova nota de apoio entregue a Fachin foi estrategicamente combinada para enviar um recado claro a ministros do tribunal que estariam atuando, em última instância, para tentar obter a nulidade do processo. Para o grupo que apoia o presidente do STF, a gravidade da situação impede que o caso seja negligenciado ou ignorado.
O documento enviado ao ministro neste domingo é assinado por ex-ministros que integraram os governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além de renomados juristas, empresários e líderes da sociedade civil.
Na avaliação dos signatários, as revelações recentes sobre as relações de ministros do Supremo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro configuram a crise mais grave da história da corte e da própria história republicana do Brasil.
O texto da carta destaca que a rigorosa apuração dos fatos e a eventual responsabilização daqueles que tenham violado a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para restabelecer a confiança pública nas instituições e preservar a democracia brasileira.
Como desdobramento da mobilização, a previsão é de que ex-ministros do STF e juristas que assinaram o manifesto compareçam presencialmente ao plenário do tribunal durante a sessão decisiva desta terça-feira.
Fonte: g1.globo.com
