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Masp explora saberes indígenas e utopias modernas em megamostra sobre a América Latina

Com quase 200 obras distribuídas por cinco andares do edifício Pietro Maria Bardi, nova exposição do Masp propõe reflexões plurais sobre a identidade, a história e os conflitos políticos e culturais da América Latina.

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Masp explora saberes indígenas e utopias modernas em megamostra sobre a América Latina

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) inaugurou uma de suas principais exposições do ano, ocupando cinco andares do edifício Pietro Maria Bardi com quase 200 obras que investigam a complexa e múltipla identidade da América Latina. Composta por vinte nações, a região abriga uma infinidade de culturas e cicatrizes deixadas por imposições coloniais, motriz para a curadoria reunir trabalhos que vão desde a cosmologia dos povos originários até os projetos arquitetônicos e urbanísticos da modernidade.

Nos andares inferiores, a mostra prioriza o contato íntimo entre as tradições indígenas e a natureza. Entre os destaques estão pinturas e instalações que repensam rotas migratórias, recipientes que remetem a corpos celestes e estruturas serpenteantes monumentais criadas com materiais orgânicos, evidenciando o profundo elo entre o ser humano e o meio ambiente.

Em níveis superiores, a exposição contrasta essas visões ancestrais com a tridimensionalidade e a rigidez geométrica de metrópoles como São Paulo, Buenos Aires e Cidade do México. Trabalhos que incorporam materiais industriais, texturas urbanas e falhas eletrônicas na paisagem urbana denunciam mecanismos contemporâneos de controle, corporativismo e expansão excludente.

A curadoria também abre espaço para discutir os desdobramentos dos planos modernistas, a exemplo do planejamento de Brasília, contrapondo-os à sabedoria de matriz originária. Segundo a equipe curatorial, o objetivo não é deixar o visitante devastado, mas apresentar a região como um rizoma dinâmico de grupos que formularam estratégias criativas de sobrevivência e emancipação.

Outros núcleos da mostra examinam a mercantilização da cultura e a circulação de commodities por meio de releituras irônicas de marcas globais, além de resgatar o legado de figuras fundamentais para a independência de pensamento dos povos latinos. Obras que remetem a matrizes africanas, instalações náuticas com cargas históricas e representações artísticas plurais completam o percurso.

Por fim, a seção final aborda a reapropriação de valores cristãos e morais externos pelas populações locais, questionando imposições e propondo novas cartografias e narrativas visuais. A exposição ‘Histórias Latino-Americanas’ segue em cartaz no Masp até o final de outubro, oferecendo ao público paulistano um panorama crítico e reflexivo sobre a pluralidade do continente.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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