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O Brasil ajudou a inteligência artificial a revolucionar a matemática mundial

Estudo de 166 páginas assinado pela OpenAI decifra problema do milênio nas equações Navier-Stokes, contando com tecnologia desenvolvida pelo cientista brasileiro Leonardo de Moura.

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O Brasil ajudou a inteligência artificial a revolucionar a matemática mundial

A comunidade matemática internacional vive um momento de profunda transformação e debate após a resolução de um dos chamados “problemas do milênio” com o auxílio da inteligência artificial. O feito envolve as equações de Navier-Stokes, fundamentais para modelar o comportamento de fluidos, e foi detalhado em um volumoso estudo de 166 páginas que traz apenas a assinatura da OpenAI e utiliza o pronome “nós” para descrever suas descobertas.

O que torna o avanço particularmente relevante para o Brasil é que a atuação da inteligência artificial na fronteira matemática só se tornou viável devido ao trabalho do cientista da computação e matemático Leonardo de Moura. Doutor pela PUC do Rio, ele desenvolveu em 2013 a linguagem de programação Lean, ferramenta essencial que permite descrever e provar teoremas matemáticos diretamente por computadores.

O impacto da criação do Lean expandiu-se ao longo dos anos, viabilizando a consolidação de extensas bibliotecas de resoluções traduzidas para a linguagem computacional. Entre elas destaca-se o Mathlib, repositório que atualmente acumula mais de 400 mil declarações e serviu de base indispensável para que a inteligência artificial conseguisse processar e resolver o complexo problema físico-matemático.

Apesar do feito histórico, a introdução massiva da inteligência artificial na pesquisa pura tem gerado reações mistas de fascínio e preocupação entre especialistas. Recentemente, dezenas de ganhadores da medalha Fields, incluindo o brasileiro Artur Avila, assinaram uma carta aberta intitulada “Desalinhamento Severo da IA na Matemática”, alertando sobre os riscos de focar em métricas corporativas em detrimento da comunidade tradicional.

Tradicionalmente concebida como uma disciplina que exige apenas papel e lápis, a pesquisa de ponta passa a demandar recursos computacionais colossais. A resolução das equações Navier-Stokes exigiu investimentos estimados em US$ 22 milhões em capacidade de processamento, cenário que ameaça introduzir desigualdades estruturais e tornar as descobertas matemáticas praticamente incompreensíveis para mentes humanas.

Especialistas apontam que o pandemônio atualmente instalado na matemática antecipa uma tendência que deve se repetir em praticamente todas as disciplinas do conhecimento humano. Enquanto a fronteira acadêmica se desloca para o uso intensivo de sistemas autônomos, o papel dos pesquisadores tradicionais passa a ser redefinido diante de um volume de conhecimento gerado por máquinas que desafia a compreensão direta.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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