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Após Bachelet desistir de concorrer à ONU, Brasil defende que região tem mulheres ‘à altura do cargo’

O Itamaraty reforçou que a América Latina possui mulheres capacitadas para liderar a Organização das Nações Unidas após a desistência de Michelle Bachelet.

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Após Bachelet desistir de concorrer à ONU, Brasil defende que região tem mulheres ‘à altura do cargo’

O Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, divulgou uma nota oficial na qual reforçou que a América Latina possui nomes femininos ‘à altura’ de assumir o comando máximo da Organização das Nações Unidas (ONU). O posicionamento brasileiro veio a público logo após a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciar a retirada oficial de sua candidatura ao posto, que até então contava com o forte apoio do governo do Brasil.

Bachelet tomou a decisão de desistir de concorrer ao cargo no sábado, após perder o apoio do próprio governo chileno. O Brasil vinha sustentando a tese de que, seguindo o critério rotativo da entidade, caberia aos países latino-americanos indicar o sucessor do atual secretário-geral, o português Antonio Guterres, cujo mandato se encerra neste ano, com a preferência de que o escolhido seja uma mulher.

A candidatura de Michelle Bachelet havia sido lançada originalmente em um cenário político em que o Chile era administrado pelo esquerdista Gabriel Boric. No entanto, após a posse do novo presidente direitista Antonio Kast em março, o governo do Chile retirou o respaldo à ex-presidente. Diante disso, a campanha passou a ser bancada diretamente pelo Brasil e pelo México, liderados respectivamente pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cláudia Sheinbaum.

Em sua nota oficial, o Itamaraty destacou a vasta trajetória da ex-presidente chilena. O texto relembrou que Bachelet foi duas vezes chefe de Estado em seu país, comandou os ministérios da Saúde e da Defesa, além de ter sido a primeira diretora da ONU Mulheres e Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, configurando uma clara prova de que a região conta com profissionais plenamente qualificadas e comprometidas com a Carta da ONU.

Apesar da manifestação de apreço, o comunicado do governo brasileiro evitou citar qual nome passará a receber o apoio oficial do país com a saída de Bachelet do páreo. De acordo com diplomatas brasileiros, ainda não existe uma definição consolidada sobre um novo candidato, embora o perfil desejado deva estar estritamente alinhado com os princípios fundamentais da organização internacional, como a paz e a segurança.

Enquanto articulações diplomáticas continuam nos bastidores, o presidente Lula encontra-se em Nova York, nos Estados Unidos, onde tem previsão de discursar no debate-geral da Assembleia Geral das Nações Unidas. Interlocutores indicam que o mandatário brasileiro aproveitará a tribuna para defender o multilateralismo, criticar conflitos globais e ressaltar a soberania do país em meio ao contexto político internacional.

Fonte: g1.globo.com

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