A Poste Italiane, empresa estatal italiana voltada para serviços postais, deu início a uma nova etapa no processo de aquisição das ações da Telecom Itália, controladora da Tim, cujos papéis são negociados na Bolsa de Milão. Entre os dias 21 e 25 de setembro, os acionistas da companhia de telefonia têm a oportunidade de alienar suas participações para a nova controladora.
De acordo com um comunicado oficial emitido pela Tim do Brasil e encaminhado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a estatal já garantiu o controle de 66,6% da matriz italiana da empresa por meio de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição de Ações). Esse mecanismo financeiro permite que um acionista manifeste o interesse em adquirir uma fatia expressiva de uma corporação, assegurando que os demais detentores possam negociar seus papéis sob condições igualitárias.
Os acionistas da operadora que decidiram aderir à proposta da Poste Italiane receberam, conforme os termos divulgados, 0,218 ação da estatal para cada papel da Tim entregue, além de um montante unitário de 1,97 euros, equivalente a cerca de R$ 11,64 na cotação atual. Com a abertura dessa nova janela de negociação, a expectativa da companhia estatal é alcançar a marca de 90% de participação acionária, patamar que a habilitaria a forçar os acionistas minoritários a cederem seus ativos restantes, concretizando o plano de retirar a empresa da bolsa milanesa.
Em nota enviada ao mercado brasileiro, a Tim do Brasil — que passa a responder como subsidiária controlada de forma indireta pela Poste Italiane — pontuou que continuará informando os seus acionistas e o público geral a respeito de quaisquer novos desdobramentos de relevância sobre a transação.
Com dois terços de sua estrutura sob a tutela do Estado italiano, a Poste Italiane atua em frentes estratégicas que abrangem os setores postal, financeiro, de energia e de banda larga. A investida sobre a Telecom Itália foi lançada no início de março com o propósito central de edificar uma campeã nacional no ramo de infraestrutura e serviços digitais.
A ofensiva da estatal ocorre em um cenário geopolítico e econômico em que diversos governos da União Europeia intensificam esforços para assegurar maior supervisão e soberania sobre ativos essenciais que lidam com dados corporativos e de cidadãos. A projeção financeira da Poste aponta para a obtenção de benefícios anuais estimados em 700 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 4,1 bilhões, decorrentes da operação.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
