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Falta de protocolos e preconceito dificultam a detecção precoce de HPV em pessoas transgênero

Especialistas apontam que a ausência de diretrizes médicas adequadas e o preconceito estrutural nos serviços de saúde elevam os riscos de diagnóstico tardio de HPV e cânceres associados na população trans.

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Falta de protocolos e preconceito dificultam a detecção precoce de HPV em pessoas transgênero

A ausência de protocolos médicos padronizados para o acompanhamento do papilomavírus humano (HPV) em pessoas transgênero tem contribuído de forma alarmante para a detecção tardia de tumores e outras complicações graves de saúde. O alerta é de especialistas da área médica e de enfermagem, que apontam barreiras significativas no atendimento a essa parcela da população.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o HPV compreende uma família superior a 200 tipos virais, estimando-se que cerca de oito em cada dez pessoas sexualmente ativas entram em contato com o patógeno ao longo da vida. Enquanto a maioria das infecções provoca apenas lesões benignas ou verrugas, existem doze subtipos de alto risco oncogênico associados ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, incluindo o de colo de útero, pênis, ânus e, no caso de mulheres trans que passaram pela cirurgia de redesignação sexual, de neovagina.

Uma revisão sistemática conduzida por pesquisadores indicou que o surgimento de câncer neovaginal está diretamente atrelado à infecção pelo HPV. Infelizmente, os diagnósticos costumam ocorrer em estágios já avançados, manifestando-se por meio de sintomas como sangramentos, corrimentos, dores intensas e massas tumorais visíveis, o que compromete drasticamente as chances de tratamentos bem-sucedidos.

O cenário de vulnerabilidade é agravado por barreiras sociais e atitudinais. Embora decisões judiciais estabeleçam que o acesso a exames e consultas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) deve ocorrer independentemente do sexo biológico registrado, levantamentos da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) revelam que a grande maioria dos pacientes trans enfrenta episódios de preconceito e discriminação durante o atendimento médico, com relatos expressivos de recusa de atendimento.

Profissionais da área médica admitem que a falta de preparo e o desconforto no manejo clínico de pacientes que passaram por transição de gênero ainda prevalecem entre ginecologistas e outros especialistas. Com isso, a responsabilidade pelo cuidado muitas vezes recai sobre médicos de família ou endocrinologistas, que compreendem o suporte hormonal, mas carecem de especialização na saúde ginecológica específica desses pacientes.

Diante desse panorama, pesquisadores e oncologistas reforçam a urgência na formulação de diretrizes clínicas e estratégias de saúde pública voltadas à população LGBTQIA+. Paralelamente, a vacinação permanece como a principal ferramenta de prevenção primária contra os subtipos mais agressivos do vírus, embora desafios logísticos, de faixa etária e de alto custo para versões amplizadas na rede privada ainda limitem o acesso universal à imunização completa.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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