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Jovens processam governo do Canadá em ação inédita por descumprimento de metas climáticas

Um grupo de 15 jovens processa o governo federal canadense em Vancouver, acusando administrações sucessivas de violarem direitos constitucionais ao não reduzirem adequadamente as emissões de gases de efeito estufa.

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Jovens processam governo do Canadá em ação inédita por descumprimento de metas climáticas

Um grupo composto por 15 jovens canadenses, com idades entre 17 e 24 anos, prepara-se para enfrentar o governo federal em um tribunal na cidade costeira de Vancouver. A ação jurídica, considerada sem precedentes na história do país, argumenta que sucessivos governos falharam em responder adequadamente às mudanças climáticas e violaram os direitos constitucionais dos cidadãos à vida, à liberdade e à segurança por meio da insuficiência na redução de emissões poluidoras.

A trajetória até o tribunal tem sido longa. A batalha judicial iniciou-se em 2019 e, após ser inicialmente rejeitada, obteve sinal verde em 2023 quando um tribunal federal de apelações garantiu aos jovens o direito a um julgamento. As audiências estão programadas para durar cinco semanas e refletem um movimento global mais amplo em que ativistas recorrem ao judiciário para coagir autoridades estatais a adotarem medidas mais rigorosas diante da crise ambiental.

O contexto da ação ganha urgência diante de dados governamentais recentes que indicam que a temperatura no Canadá tem aumentado quase duas vezes mais rápido do que a média global desde 1970. Além disso, incêndios florestais intensificados pelo aquecimento global têm devastado extensões recordes de território, gerando profunda incerteza entre a geração mais jovem sobre a viabilidade de planejar o futuro em um cenário de colapso ambiental.

Os autores da ação também direcionam críticas às políticas conduzidas pelo primeiro-ministro Mark Carney, apontando que a atual gestão tem optado por incentivar a produção de petróleo como forma de mitigar a dependência econômica em relação aos Estados Unidos. Para os manifestantes, essa postura representa um retrocesso preocupante em relação a compromissos climáticos anteriores assumidos pelo país.

O julgamento canadense insere-se em um mosaico de decisões e movimentações jurídicas internacionais sobre o clima. Entre marcos recentes figuram a vitória de mulheres suíças no Tribunal Europeu de Direitos Humanos e o parecer da Corte Internacional de Justiça sobre a responsabilidade dos Estados na proteção climática, embora o movimento também tenha acumulado reveses políticos em instâncias de outras nações.

Apesar do cenário desafiador e dos retrocessos apontados no âmbito das políticas ambientais governamentais, os jovens autores mantêm a expectativa de que o veredito e o debate público gerado pelas audiências funcionem como um sinal contundente para as autoridades e inspirem novas respostas institucionais no enfrentamento à crise climática global.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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