Uma expressiva onda de vendas de títulos do governo dos Estados Unidos tem gerado forte repercussão no setor corporativo do país, obrigando companhias a revisarem seus planos de captação e acendendo alertas sobre potenciais riscos de calote entre aquelas com classificações de crédito mais desfavoráveis.
As despesas de financiamento para as corporações detentoras das piores notas de crédito alcançaram neste mês o patamar mais elevado desde maio de 2020, situando-se em 17%. Esse cenário foi impulsionado pelo avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano rumo a máximas plurianuais e pela maior exigência de remuneração por parte dos investidores.
Especialistas apontam que as organizações com empréstimos atrelados a taxas flutuantes e aquelas com vencimentos de dívida programados para os próximos meses são as mais vulneráveis à recente desvalorização dos títulos públicos, cujo rendimento do papel de dez anos atingiu na semana passada o maior nível desde 2002.
Refletindo a cautela do mercado, o Bank of America revisou para baixo sua projeção para o volume de emissão de dívida corporativa com grau de investimento denominada em dólares prevista para este mês, reduzindo a estimativa de cerca de US$ 160 bilhões para US$ 110 bilhões.
No âmbito operacional, o nervosismo dos mercados já se manifesta em grandes transações. Recentemente, o grupo Paramount Skydance concretizou a venda de US$ 52 bilhões em dívida para viabilizar a aquisição da Warner Bros Discovery, registrando uma procura incomum que revelou a apreensão dos investidores com o impacto dos juros elevados sobre os prazos mais longos.
Empresas de diversos setores também monitoram de perto a dinâmica do crédito. A fabricante de alimentos McCormick informou que avalia cuidadosamente moedas, prazos e a proporção de taxas fixas e flutuantes em sua futura emissão de dívida associada à fusão com a divisão de alimentos da Unilever.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
