
A madrugada do dia 24 de setembro foi marcada por uma intensa movimentação em Campo Grande, detalhada na denúncia protocolada na Justiça em 14 de outubro. O advogado Amilton Ferreira de Almeida é acusado de obstrução de Justiça por supostamente alertar antecipadamente o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa sobre a Operação Infiltrados, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado).
Conforme os levantamentos, a caminhonete Toyota Hilux do advogado circulou por diferentes pontos da Capital a partir das 4h38, passando inclusive pelo Jardim Veraneio, próximo à sede do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Às 5h, o defensor iniciou uma série de ligações e videochamadas via WhatsApp para o então chefe da Denar, Hoffman D’Ávila, um dos principais alvos da ofensiva contra um esquema de desvio de drogas envolvendo policiais civis.
Deslocamentos e fuga antes da abordagem
As equipes policiais e agentes do Gaeco chegaram à residência do delegado às 5h24, mas ele já havia deixado o local em um Honda HR-V por volta das 5h18. A acusação aponta que a conversa entre o advogado e o delegado foi o meio utilizado para o vazamento de informações sobre os mandados. Minutos após a chegada das equipes, Hoffman voltou a telefonar para Amilton, que compareceu à residência do delegado às 5h45 devidamente vestido de terno e gravata para atuar como seu defensor.
A investigação também aponta que o celular do delegado não foi apreendido, havendo suspeita de ocultação de provas. A defesa de Amilton, representada pelas advogadas Damares Machado, Herika Ratto e Larissa Almeida, sustenta que havia relação profissional prévia entre os envolvidos e que a saída do delegado foi apenas uma coincidência, negando qualquer irregularidade na atuação jurídica.
Prisão, soltura e desdobramentos
A suspeita de vazamento motivou a segunda fase da Operação Infiltrados, batizada de Obstructio, que resultou na prisão temporária de Amilton em 29 de setembro. No entanto, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) acatou a tese defensiva e determinou a soltura do advogado na segunda-feira (19), com a retirada da tornozeleira eletrônica e a devolução da fiança na terça-feira (20).
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) emitiu nota em defesa do associado, argumentando que o advogado possui imunidade em seus atos profissionais e classificando a prisão antecipada como ilegal. A ação penal tramita na 2ª Vara Criminal de Campo Grande e envolve tanto o advogado quanto o delegado, que segue preso desde a deflagração da operação.
