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SAÚDE

Combate global à obesidade é considerado inaceitavelmente lento por especialistas

Estudos apontam que apenas um em cada quatro países implementa políticas eficazes contra a epidemia, enquanto o consumo de alimentos ultraprocessados cresce.

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O progresso mundial no enfrentamento à obesidade tem sido classificado por cientistas como inaceitavelmente lento. Dados apresentados durante o 9º Encontro Anual da Pesquisa em Alimentação Saudável, em Baltimore, nos Estados Unidos, revelam que apenas um em cada quatro países adotou programas efetivos para conter o avanço da doença.

Desafios nutricionais e mercado

A situação é agravada pela rápida expansão da oferta de produtos altamente industrializados e açucarados. Segundo pesquisadores, o mercado global de alimentos infantis processados saltou de US$ 13,7 bilhões em 2007 para US$ 19 bilhões neste ano. Tim Lobstein, da Federação Mundial de Obesidade, afirma que a exposição constante a esses produtos durante a infância cria fidelidade à marca e lucros elevados para a indústria.

Em países de baixa e média rendas, o cenário é de sobrecarga nutricional duplicada: o nanismo ainda afeta mais de um quinto das crianças menores de 5 anos, enquanto a obesidade cresce rapidamente no mesmo grupo. Nos Estados Unidos, crianças pesam, em média, 5kg a mais do que há 30 anos, com uma em cada três apresentando sobrepeso ou obesidade.

Necessidade de políticas públicas

Especialistas defendem uma reformulação na compreensão sobre a obesidade, deixando de focar apenas na responsabilidade individual. Christina Roberto, da Universidade de Harvard, ressalta que o ciclo de oferta e demanda pode ser quebrado com políticas alimentares inteligentes e maior regulação, em vez de depender apenas de movimentos voluntários da indústria.

O professor Boyd Swinburn, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, destaca que a formação dos profissionais de saúde precisa ser aprimorada para combater preconceitos contra pacientes obesos. O objetivo é cumprir a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de não aumentar as taxas de obesidade a partir de 2025.

Novas perspectivas científicas

Enquanto as políticas avançam lentamente, a ciência busca alternativas biológicas. Um estudo publicado na revista The EMBO Journal, liderado por Toshihiro Nakajima, da Universidade Médica de Tóquio, aponta que o gene sinoviolina pode ser uma chave para entender a relação entre obesidade e doenças inflamatórias, como a artrite reumatoide. Em testes com camundongos, a inibição desse gene resultou em perda de tecido gorduroso e redução de peso.

Paralelamente, um estudo publicado na Lancet Global Health avaliou a dieta de 4,5 bilhões de adultos em 187 países entre 1990 e 2010. Embora o consumo de frutas e legumes tenha melhorado, ele foi superado pelo aumento na ingestão de carnes processadas e bebidas açucaradas, especialmente em regiões como Estados Unidos, Canadá, Europa Ocidental, Austrália e Nova Zelândia.

Com informações de: nutricaosaude.webnode.com.br.
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