Um ano depois da morte de Cipriano Pereira Quinhone, de 60 anos, atropelado pelo caminhão da própria empresa onde trabalhava, a família ainda convive com perguntas sem respostas em Campo Grande. Na data que marca o primeiro ano do falecimento, as filhas se reuniram para relembrar a história do trabalhador e cobrar justiça pelo acidente ocorrido na Avenida Duque de Caxias. Para elas, enquanto a família tenta aprender a viver sem a principal referência, a vida do motorista envolvido continuou normalmente.
Cipriano trabalhava como gari na Solurb havia anos e estava em serviço quando foi atingido pelo veículo durante uma manobra de marcha à ré, no dia 17 de setembro de 2025. O laudo da Perícia Oficial aponta que o caminhão iniciou a ré durante a coleta de material de varrição e conclui que o atropelamento ocorreu em condições de segurança consideradas inadequadas. A família questiona os procedimentos adotados e afirma que o motorista foi ouvido apenas uma vez no dia do caso.
A principal reclamação das filhas recai sobre a punição considerada desproporcional à perda. Segundo Gabriella Araújo Quinhone, de 31 anos, o acordo firmado na esfera criminal prevê o pagamento de R$ 3 mil dividido em dez parcelas de R$ 300, enquanto a ação trabalhista segue sem movimentação. Edilaine Neri de Araújo, de 45 anos, também lamenta que o condutor tenha permanecido no quadro de funcionários da empresa e que não tenha sofrido sanções como a perda da carteira de habilitação.
Além da busca por respostas jurídicas, o período é marcado por saudades e lembranças de quem Cipriano era fora do expediente. As filhas relatam que ele era conhecido pelo carinho com os familiares, pelo hábito de pedalar por toda a cidade e pela solidariedade com os colegas de equipe, a quem frequentemente ajudava com comida ou dinheiro quando necessário. Ele representava a última grande referência familiar após a perda da mãe.
Em nota oficial, a Solurb lamentou o acidente e declarou que cumpriu integralmente com as obrigações trabalhistas, incluindo o pagamento de verbas rescisórias e a liberação de seguro de vida aos dependentes. A empresa pontuou que respeita a decisão da família de buscar reparação judicial e reforçou que aplica rigorosos procedimentos de segurança operacional, treinamentos e diretrizes para prevenção de riscos em suas atividades.
Enquanto o processo tramita e as investigações não trazem as respostas esperadas pelas filhas, a família segue unida na memória do trabalhador e na exigência de medidas que impeçam que outros profissionais enfrentem o mesmo risco fatal durante suas jornadas nas ruas da Capital.
Fonte: www.campograndenews.com.br
