A Oncoclínicas, uma das maiores redes privadas de tratamento de câncer do Brasil, enfrenta um período de profunda instabilidade financeira, marcada por pesadas dívidas, um processo de recuperação extrajudicial e intensas disputas envolvendo o Goldman Sachs, um fundo de Houston e investigações policiais em São Paulo.
Fundada em 2010 pelo oncologista Bruno Ferrari em Belo Horizonte, a empresa expandiu-se rapidamente até atingir um valor de mercado de US$ 1,87 bilhão após o seu IPO em 2021. Contudo, a estratégia de crescimento baseada em aquisições e forte alavancagem financeira foi severamente penalizada pelo ambiente de juros elevados, fazendo com que o preço das ações despencasse mais de 85%.
A crise corporativa ultrapassou o âmbito financeiro e passou a afetar diretamente a vida de pacientes. Relatos de interrupções no fornecimento de medicamentos em clínicas da rede evidenciam o impacto da escassez de liquidez na prestação dos serviços oncológicos, gerando apreensão e dificuldades em tratamentos de continuidade.
No centro da disputa societária está o papel do Goldman Sachs e sua relação com o fundo Centaurus. Após a divulgação separada de participações acionárias, investidores alegaram o acionamento de uma cláusula de “poison pill” devido ao tamanho da fatia detida, o que levou a questionamentos regulatórios e a apurações conduzidas pela polícia paulista sobre a real identidade dos controladores.
Adicionalmente, a empresa estabeleceu laços financeiros complexos com o Banco Master, incluindo a aquisição de certificados de depósito bancário que resultaram em expressivas provisões de perdas após a liquidação da instituição financeira, elevando ainda mais o escrutínio sobre a governança corporativa da companhia.
Diante de um prejuízo bilionário recente e da tentativa de reestruturar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas, especialistas apontam que a sobrevivência da Oncoclínicas depende da superação de seus gargalos de governança, do desfecho das contendas judiciais na CVM e da normalização definitiva de suas operações no setor de saúde.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
