
Pesquisadores de universidades canadenses defendem que a prática de exercício físico deve transicionar de uma simples recomendação de estilo de vida para uma prescrição médica voltada ao tratamento da saúde cerebral. A posição foi publicada em um artigo no dia 3 de junho na revista científica Brain Health por Carl Zhou e Nicholas Fabiano, da Universidade de Ottawa, além de Stanley Wong, da Universidade de Toronto.
Impacto nas funções cognitivas e mentais
Os autores do estudo, vinculados aos departamentos de psiquiatria das instituições, destacam que a saúde cerebral engloba a manutenção do funcionamento cognitivo, emocional, comportamental e social. O artigo aponta que a atividade física influencia positivamente quase todas essas áreas, atuando em fatores como vasos sanguíneos saudáveis, metabolismo equilibrado, controle de inflamação e neuroplasticidade.
Como exemplo, a publicação menciona um ensaio clínico de 2011 com adultos mais velhos que demonstrou o aumento do volume do hipocampo anterior e a melhora da memória após a prática de exercício aeróbico. Outra análise realizada em 2024 identificou que modalidades como caminhada, corrida, ioga e treino de força diminuíram sintomas de depressão, com impactos mais expressivos em atividades de alta intensidade.
Metodologia de prescrição e saúde mental
Segundo Carl Zhou, a atividade física ainda é tratada como um conselho geral, embora as evidências analisadas sustentem uma prescrição detalhada. O plano deve especificar o tipo de atividade, frequência, intensidade, duração, segurança e acompanhamento, equiparando-se à recomendação de um fármaco.
O estudo também aborda quadros de esquizofrenia e outras doenças mentais graves, marcadas por sedentarismo e mortalidade prematura. Stanley Wong ressalta que, nesses casos, o exercício pode atuar simultaneamente nos sintomas psiquiátricos, na cognição e na saúde física.
Para pacientes com depressão, que frequentemente enfrentam baixa energia e motivação, os pesquisadores sugerem inícios graduais, como caminhadas curtas ou tarefas diárias. Nicholas Fabiano pontua que o ponto de partida deve ser viável para gerar pequenos sucessos repetidos, essenciais para a construção do hábito e da autoeficácia sustentada.
