
A necessidade de finalizar um tratado internacional sobre pandemias ganhou novo destaque nesta segunda-feira (2). O alerta foi feito pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, durante a abertura da nona reunião do Grupo de Trabalho Intergovernamental (GTI), realizada em Genebra.
Impasse nas negociações
O encontro, que prossegue até o dia 13 de novembro, busca superar divergências entre nações ricas e em desenvolvimento. Os países ainda não alcançaram consenso sobre as modalidades de implementação de um acordo histórico aprovado no ano passado, estruturado para a gestão de crises sanitárias semelhantes à da covid-19.
O principal entrave nas negociações é o anexo relativo ao Sistema de Acesso a Patógenos e Partilha de Benefícios (PABS). Sem definir as regras para o acesso a agentes patogênicos e a distribuição equitativa de vacinas, testes e tratamentos, o acordo global não pode entrar em vigor.
Lições da covid-19 e ameaças atuais
Para ilustrar a urgência do tema, Adhanom citou episódios recentes, como a epidemia de ebola na República Democrática do Congo, declarada em maio, e a ocorrência de hantavírus em um navio de cruzeiro em abril. Segundo o dirigente, ameaças patogênicas em qualquer região podem rapidamente se transformar em perigo global.
O chefe da OMS também resgatou o cenário vivido durante a pandemia de covid-19 para criticar a desigualdade na distribuição de imunizantes. Conforme pontuou, a demora de diversas nações para receber vacinas enquanto outras acumulavam estoques custou vidas e prolongou a crise sanitária.
