A ex-presidente do Chile decidiu encerrar sua campanha para assumir o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão marca uma reviravolta na corrida diplomática internacional que vinha sendo movimentada por articulações na América Latina.
Em evento realizado em uma universidade no início do mês, em 3 de setembro, a própria política já havia demonstrado ceticismo quanto às suas reais probabilidades na disputa. Na ocasião, ponderou que muitos poderiam avaliar que o momento não era propício para a iniciativa que representou, embora tenha enfatizado que não carrega arrependimentos por ter assumido tal empreitada.
Apesar da desistência, a candidatura serviu para recolocar em evidência a discussão global sobre a representatividade de gênero e regional no topo da hierarquia da ONU. O principal objetivo levantado foi o de defender enfaticamente que a próxima liderança máxima da organização deveria recair sobre uma mulher oriunda da América Latina.
A trajetória da postulação começou a se desenhar em fevereiro, quando foi inicialmente indicada pela gestão do ex-presidente chileno Gabriel Boric, recebendo importantes respaldos diplomáticos de nações como Brasil e México. No entanto, o cenário político interno sofreu mudanças e o projeto perdeu força após a retirada do apoio oficial pelo atual presidente do país, o ultradireitista José Antonio Kast.
Cabe destacar que, em oito décadas de existência da instituição internacional, o posto mais alto jamais foi ocupado por uma mulher. Historicamente, a América Latina teve apenas um único representante no comando da organização, o diplomata peruano Javier Pérez de Cuéllar, que exerceu o mandato entre os anos de 1982 e 1991.
A escolha para a secretaria-geral costuma seguir uma regra não escrita de revezamento geográfico entre as regiões do planeta, critério que, embora nem sempre rigorosamente respeitado, apontava que o turno atual pertencia legitimamente aos países latino-americanos.
Fonte: noticias.uol.com.br
