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Agentes de inteligência artificial podem custar US$ 500 bilhões aos bancos

A ascensão de assistentes baseados em inteligência artificial ameaça sacudir o modelo tradicional de captação das instituições financeiras, reduzindo margens obtidas com dinheiro parado em contas correntes.

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Agentes de inteligência artificial podem custar US$ 500 bilhões aos bancos

O modelo tradicional do setor bancário, que lucra consideravelmente com o capital deixado inativo por clientes em contas correntes, pode sofrer um abalo significativo com a popularização dos agentes de inteligência artificial. Embora o avanço tecnológico dificilmente derrube grandes instituições de sua posição de destaque, há um volume imenso de recursos em jogo que atrai a atenção de especialistas e do mercado financeiro global.

A principal tese em debate aponta que assistentes virtuais avançados, a exemplo do Muse da Meta, possuem a capacidade técnica de orientar correntistas a darem uma destinação mais lucrativa a trilhões de dólares mantidos em depósitos de baixa ou nula remuneração. Essa movimentação pode variar desde alertas simples sobre condições melhores em saldos excedentes até transferências automáticas para fundos de mercado monetário que oferecem rendimentos superiores.

Essa transformação representaria uma mudança profunda na estrutura de receitas dos bancos, que historicamente dependem do spread bancário — a diferença entre a taxa paga na captação de recursos e o custo cobrado nos empréstimos concedidos. Grandes instituições norte-americanas, como JPMorgan Chase, Bank of America e Wells Fargo, administram somas expressivas em depósitos que não rendem juros aos correntistas, representando fatias consideráveis de seus passivos globais.

Apesar do cenário de alerta, analistas ponderam que a migração em massa desses recursos enfrenta barreiras reais, sendo a confiança o principal obstáculo. Famílias e empresas frequentemente hesitam em delegar o controle total de suas finanças a softwares automatizados ou corporações de tecnologia. Além disso, persistem dúvidas cruciais sobre responsabilidade jurídica em caso de falhas operacionais ou destoca incorreta de valores.

Ainda assim, estimativas financeiras calculadas a partir de métricas de aquisição de depósitos mostram que o impacto potencial sobre o patrimônio dos bancos dos Estados Unidos pode alcançar a casa dos US$ 500 bilhões. Esse montante reflete a perda de valor caso os depósitos principais passem a ser remunerados de acordo com as taxas praticadas pelo mercado, o equivalente a uma fração significativa do valor de mercado das instituições listadas em bolsa.

Por fim, as próprias instituições financeiras também buscam extrair vantagens do ecossistema de inteligência artificial por meio de cortes de custos, maior eficiência na precificação de crédito e prevenção a falhas humanas. Embora executivos do setor reconheçam os investimentos bilionários em inovação, parte expressiva dos investidores ainda enxerga na política de juros do Federal Reserve e em riscos tradicionais de crédito preocupações mais imediatas para a estabilidade do mercado.

Fonte: c-level.folha.uol.com.br

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